Estando a frente dos Claretianos do Brasil, Pe Oswair afirma que Província tem dado respostas adequadas às necessidades do povo.
Oswair Chiozini, paranaense de Sabáudia (então município de Londrina), em quarenta anos de sacerdócio exerceu a função de provincial por cinco vezes, sendo eleito o primeiro provincial da nova Provincia Claretiana do Brasil. Participou como Consultor no Governo Geral da Congregação dos Missionários Claretianos e hoje, aos 68 anos, concluindo seu provinciliato, mostra-se disponível para ser enviado a qualquer parte, desde que seja para evangelizar. Para ele a caminhada continua e a missão claretiana é dinâmica e não estática, o segredo está no modo claretiano de evangelizar, que se caracteriza no ir ao encontro das necessidades da pessoa humana. Apurado com preparação do II Capítulo Provincial, concedeu-nos um espaço para seguinte entrevista
"eu aprendi que da boca de um filho do Coração de Maria não se deveria ouvir as palavras "quero, não quero". Somos filhos da obediência."
Portal Claret: Com toda sua experiência de governo (geral e provincial) Como o senhor avalia o caminho que os Claretianos têm feito em terras brasileiras nesses 113 anos de história?
Pe Oswair Chiozini CMF: A caminhada que os Missionários Claretianos fizeram no Brasil tem suas características: fomos chamados pela Igreja do Brasil para sermos pregadores, evangelizadores, missionários itinerantes. Por isso nossas primeiras casas eram casas de missão, verdadeiras colmeias, como chamava Claret a comunidade missionária de Santiago de Cuba, era um vai e vem constante de missionários enviados para a missão e missionários que voltavam de suas missões. Na comunidade encontravam lugar e ambiente para refazerem suas forças físicas, espirituais e intelectuais. Basta lembrar algumas das casas: São Paulo, Campinas, Pouso Alegre, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Santana do Livramento. Existiam equipes de Missionários que estavam em função das Missões Populares. Eu mesmo fui pescado por uma destas equipes que foi pregar Missão em 1954 no povoado de Sabáudia, no norte do Paraná. O jeito de ser, o testemunho, a simpatia me chamaram a atenção e disse à minha mãe que eu também queria ser missionário como os que tinham vindo pregar as Missões.
Seguindo o espírito de Claret, procuramos também outros meios para anunciar a Boa Nova do Reino. A Ave Maria foi o meio de comunicação muito apropriado para isso, mais tarde encontramos a TV, as emissoras de rádio. Outras plataformas de evangelização são as Paróquias, assim como a educação, as igrejas em formação e a missão além-fronteira, como as obras sociais.
No entanto, não nos esquecemos de que somos itinerantes, devemos ir aonde outros não vão e fazer o que outros não fazem quanto à evangelização. Não nos esquecemos de que devemos ser sempre um pouco loucos e aventureiros. Por isso aí estamos no Mato Grosso, em Alagoas, em Rondônia, em Moçambique. E a caminhada continua, a comunidade missionária claretiana é dinâmica e não estática.
Creio ter participado ativamente desta caminhada missionária da Província olhando sempre para mais além das suas fronteiras, desde 1976 quando estimulava os estudantes à missão no interior do Paraná, Clevelândia; quando aceitava a itinerância missionária no território da Prelazia de Paranatinga (Nova Brasilândia, Novo São Joaquim, Campinápolis, Gaúcha do Norte, Santo Antônio do Leste e Paranatinga); quando levava a comunidade claretiana a Maceió; quando fundava outra frente de vanguarda em Porto Velho, quando apoiava em todos os sentidos a missão de Moçambique.
Portal Claret: Estando a frente do atual governo provincial, como o senhor vê a Província do Brasil em relação a outros organismos claretianos do mundo?
Pe Oswair Chiozini CMF: Não querendo tocar muito a trombeta, podemos dizer que nossa Província tem muitas atividades, em várias áreas e creio que estejamos dando respostas adequadas às necessidades do povo do nosso tempo, quer usando os meios de comunicação social, quer no campo da educação, quer nos postos avançados de missão, quer nas paróquias que estão sob nossa responsabilidade, que são consideradas diferenciadas pelo jeito de atendê-las. Graças a Deus nossos serviços paroquiais têm algo a mais, algo diferente, algo que vai mais além de si mesma. Nos últimos anos são significativos nossos trabalhos com os mais necessitados, por meio das mais variadas Obras Sociais.
Portal Claret: Com que olhares os Claretianos do Brasil são vistos lá fora?
Pe Oswair Chiozini CMF: Não são muitos os que nos conhecem ou conhecem nossos serviços missionários aqui no Brasil. Creio eu que uma grande barreira tem sido a língua. É barreira para nós nos comunicarmos com os outros e vice versa; mas os que nos conhecem ficam admirados pela quantidade e variedade de atividades, bem como pela sua abrangência. Antigamente quando me identificava como brasileiro, eu tinha certo receio, pois não passávamos de gente do terceiro mundo, fazíamos parte de um povo necessitado de tudo, sem possibilidade de oferecer alguma coisa. Hoje percebo que o conceito sobre nós é outro, é diferente, pois pouco a pouco nós brasileiros fomos conquistando nosso espaço e convencendo a muitos de que aqui no Brasil também podemos trabalhar com muita eficiência na evangelização dos povos.
Portal Claret: Recentemente o senhor participou, juntamente com Pe. Marcos Loro, da assembléia da confederação Interprovincial Claretiana de Latinoamérica e Caribe (CICLA). Deste evento o que toca diretamente aos Claretianos do Brasil como orientações missionárias para América Latina?
Pe Oswair Chiozini CMF: O último Capítulo Geral pede ao Governo e às Conferências uma revisão dos seus estatutos e funcionamento. A Congregação, mais acentuadamente aqui na América, está em transformação, em estado de reorganização. Por isso estamos vivendo um triênio de transição, na espera das fusões que estão em andamento, para depois podermos fazer uma revisão do Estatuto de CICLA-NACLA, como do Projeto Missionário para América.
Portal Claret: Até 2008, no Brasil, a missão claretiana era instituída em dois organismos: a Província Meridional e a Delegação Central. No processo de junção o senhor tomava parte no governo, assumiu a direção do governo de transição, consequentemente foi eleito o primeiro provincial da nova Província dos Missionários Claretianos do Brasil. Quais os ganhos que este processo trouxe para missão claretiana? Que dificuldades apareceram contrárias a esta proposta? Após este triênio de governo, como o senhor avalia o percurso da unificação?
Pe Oswair Chiozini CMF: Creio que o nosso processo de união dos dois Organismos brasileiros tenha sido um sucesso, tranquilo, está cumprindo o seu objetivo, isto é, unindo as forças para poder trabalhar mais e melhor. Dificuldades? bem, sempre existem, mas creio que são insignificantes diante do que ganhamos todos. Às vezes estas dificuldades não existem por causa da junção, mas por outros motivos, muitas das vezes, por motivos pessoais, não de reorganização.
Portal Claret: São cinco mandatos como Provincial, ao chegar ao final deste último governo, que sentimentos brotam no missionário claretiano Oswair Chiozini?
Pe Oswair Chiozini CMF: Missão cumprida. Disposto a ser enviado a qualquer missão. Os superiores saberão em qual delas posso servir melhor.
Portal Claret: Em todos esses anos como provincial, qual fato marcou mais sua vida?
Pe Oswair Chiozini CMF: A resposta que a Província deu diante de um pedido do Arcebispo de Porto Velho, D. Moacyr Grecchi, quando veio bater às nossas portas dizendo que estava aí em nome dos Bispos da Igreja da Amazônia, advogando por todos os jovens da região que também são gente, também são filhos de Deus e também têm direito à educação e nos perguntava: ?que é que os Claretianos podem fazer para atender estas necessidades específicas dos jovens da Amazônia??. Por meio da metodologia do ensino a distância os Claretianos estão presentes em vários pontos desta vasta região brasileira, além de outras presenças nas dioceses de Porto Velho e Guajará-Mirim. Este é o jeito claretiano de evangelizar: ir ao encontro das necessidades da pessoa humana, como o fez Claret, fazer o que outros não fazem e ir aonde outros não vão.
Portal Claret: O que o senhor diria para o novo provincial eleito?
Pe Oswair Chiozini CMF: Coragem! A graça de Deus é maior do que as nossas capacidades humanas.
Portal Claret: Planos para o Futuro: o que senhor desejaria fazer após o término deste governo? Um sonho a realizar?
Pe Oswair Chiozini CMF: No nosso antigo Espelho do Postulante, uma espécie de Constituições para os seminaristas menores eu aprendi que da boca de um filho do Coração de Maria não se deveria ouvir as palavras "quero, não quero". Somos filhos da obediência.




"Somos e nos chamamos
Filhos do Imaculado Coração de Maria" Claret
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