Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria

Domingo, 29 de janeiro de 2012

4º Domingo do Tempo Comum

Santos do Dia:Aquilino de Milão (mártir), Báculo de Sorrento (bispo), Cesário de Angoulême (diácono), Constâncio (primeiro bispo de Perúgia) e Companheiros (mártires), Flora de Kildare (virgem), Papias e Mauro (soldados, mártires de Roma), Sabiniano de Troyes (mártir), Sharbel e Bebaia (casal de irmãos, mártires de Edessa), Sulpício Severo (bispo de Bourges), Trifina da Bretanha (viúva), Valério de Trèves (bispo).

Primeira leitura: Deuteronômio 18,15-20
Eu suscitarei um profeta como tu, entre teus irmãos..
Salmo responsorial:94,1-2.6-7.8-9
Não vos torneis endurecidos como em Meribá, como no dia de Massa no deserto..
Segunda leitura:1 Coríntios 7,32-35
O que poderá vos unir ao Senhor, sem partilha..
Evangelho:Marcos 1,21-28
A sua fama espalhou-se..

A palavra Deuteronômio vem de Deuteros = segundo + nomos = lei. É a segunda versão da legislação mosaica. O Deuteronômio foi elaborado a partir de pequenos fragmentos que foram compilados pelo autor ou os autores ao longo de mais de 600 anos. O material que conhecemos teve origem muita diferente. Uma parte pertence à grande tradição oral que a confederação de tribos empregou para regular a aplicação da justiça no interior da comunidade e entre as tribos durante o tempo dos Juízes. Outra parte provem das tradições do reino do Norte, elaborada por grupos que se opunham à monarquia e propunham legislações alternativas para tratar de mudar o despótico governo instalado na Samaria. Outra parte é elaboração de tradições orais do reio do Sul, vigentes nos tempos do rei Josias. Esta diversidade foi reelaborada pelos sacerdotes e sábios depois do desterro até alcançar a forma que conhecemos hoje.

O documento teve várias edições nas quais foi sucessivamente ampliado. Insiste na necessidade de viver relações humanas justas. A lei não é, nesse documento, um conjunto de decretos isolados. Cada preceito está em função de defender a vida e a dignidade de cada pessoa na comunidade. A lei expressa a vida íntima da comunidade, a necessidade de que cada pessoa tenha o mínimo para sobreviver e ninguém viva em uma situação de constrangimento e miséria. Deste modo, a lei deixa de ser uma obrigação e passa a ser um “dom” outorgado por Deus a todo o povo. Este dom ou aliança se fundamenta no direito de cada família de possuir o mínimo necessário, isto é, um pedaço de terra onde pudesse cultivar e onde pudesse viver sem ser uma carga para os demais: “Como Javé fez deste país um dom para sue povo, ninguém pode apropriar-se da terra” (Dt 15,4).

Para este autor, a aliança, a lei ou o “dom”, deve ser interiorizada. A convivência no país que Deus deu ao povo peregrino exige uma mudança de mentalidade que se traduz em uma organização social ode o direito divino prevalece sobre todas as instituições. O central deste direito é a justiça entre as pessoas, entendida como fundamento da convivência social.o “O rei deve ser irmão e não se valer de interesses e vantagens pessoais. Este abrir-se generosamente aos outros é o que demonstra a pertença a Javé e o que permite a pertença a este povo”.

Nesta mesma linha se situa a promessa acerca do profeta vindouro. Esse profeta é comparado ao Moises. Não vem lembrar ao povo uma ou outra coisa. O profeta vem para indicar qual é o rumo que o povo deve seguir. O profeta se preocupará em manter vivo o Espírito da Lei, tema em que o Deuteronômio insiste, de modo que não se converta em uma mera formalidade, mas que expresse as necessidades vitais da comunidade e de cada ser humano.

O Deuteronômio dá inicio a uma tendência que Jesus levará adiante. Para Jesus e em geral para todos os profetas, o fundamental da lei é preservar a dignidade, a intimidade e o valor de cada ser humano, o direito a viver em uma comunidade onde seja valorizado pelo que é e não por aquilo que a pessoa possui. Desse modo, a legislação deixa de ser um preceito que rege alguma coisa em particular, e se converte em expressão das necessidades vitais do ser humano. A isto a Bíblia chama “levar a Lei o coração”.

Esta ova maneira de ver a lei é a que aplica Paulo na carta aos coríntios. Ele aconselha, sugere, opina, exorta e admoesta tendo em conta a situação da comunidade, no aspecto social e a situação da pessoa na situação da comunidade. Não impõe critérios rígidos que sufoquem a consciência das pessoas, mas que busca que cada pessoa esteja a vontade com sua situação.

A comunidade, preocupada pelas opiniões adversas em relação ao matrimonio, pergunta ao apóstolo Paulo: será preferível não casar? Para Paulo o importante é que cada pessoa da comunidade cristã se sinta a vontade e motivada para servir. Por isso sua mensagem não origina os que estão casados, mas se preocupa pelos judeus e pelos escravos. Os judeus para que ao reneguem sua cultura e tradições, porém que tampouco a imponham aos demais. Aos escravos os anima a não desanimar por sua condição e a buscar uma oportunidade para libertar-se. Desse modo, ninguém pode se sentir nem superior nem interferir aos outros. Todos são iguais porque no interior da comunidade se respeita a diferença. Este é o principio da igualdade.

Em todos caso, situações, estados civis, posicionamentos sociais...  Paulo insiste na urgência de buscar um caminho para viver a liberdade que Cristo nos deixou e, sendo livres, preparar a irrupção do Reino. O

Senhor volta quando a comunidade, já livre das travas sociais, culturais ou ideológicas, dá testemunho de um modo de viver alternativo e libertador.

Esta capacidade para discernir cada situação em particular, foi uma das coisas que a multidão mais admirou em Jesus. Enquanto outros mestres e líderes respondiam com exaustivas explicações e citações de códigos, preceitos e doutrinas, Jesus respondia com a verdade simples e singela.

Jesus estava interessado na situação particular de cada ser humano: em suas enfermidades, nas idéias que atormentavam as pessoas, nas coisas que impediam as pessoas de serem livres e espontâneas. Este interesse não obedecia a um interesse político subjacente, mas a uma genuína valorização de cada pessoa que encontrava no caminho. Muitos movimentos e grupos mostram interesse pelos indivíduos enquanto estes servem a seus interesses proselitistas, enquanto são seus adeptos, porém, logo que não precisam deles, os ignoram e os marginalizam. Jesus se manifestou abertamente contra este modo de agir e o declarou abertamente: o sábado, ou seja, a lei, os costumes, tudo que foi prescrito está a serviço de cada ser humano e não o contrario.

Precisamente, sua luta contra os demônios foi uma luta contra as ideologias instaladas nas sinagogas, que buscavam um messias glorioso, um militar implacável, um reformador religioso. Jesus nunca se identificou com estes propósitos. Por esta razão, intima os “espíritos imundos” ou as ideologias opressoras a guardar silencio e a não tratar de seduzi-lo com falsas aclamações e reconhecimentos.

O povo simples reconhecia a luta conta o formalismo da lei e a ideologia que a sustentava. A proposta de Jesus liberta da pesada carga moral, econômica e cultural que supunha cumprir os mais de seis mil preceitos que estavam em vigor para regular todos os aspectos da vida pessoal e comunitária. Muita gente se perguntava: não será este homem o novo legislador? Não será o homem prometido, o novo Moisés? Não será a proposta de Jesus, o Reinado de Deus, a “nova Lei”? Por que suas ações libertadoras e sua luta contra o mal é tão eficaz?

Hoje a ossa pergunta é: Temos seguido a proposta de Jesus para que cada ser humano tenha o seu valor inalienável? Cremos que nossa tarefa ou missão, como anunciadores da boa nova, é ajudar a todos os seres humanos a libertarem-se das amarras que não permitem crescer com liberdade e espontaneidade? A boa nova de Jesus tem caráter normativo para mim, ou o consideramos superficialmente como se faz com o noticiário de cada dia?

Oração

Ó Deus Pai, tu que nos amas até o extremo, ensina-nos a amar os demais com todas as forças e que nosso amor não seja de boas palavras mas se traduza em obras de justiça, de amor e de serviço em favor de todas as pessoas. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Podcast

Santo do dia

S. Policarpo

Séc. I-II - bispo e mártir

Policarpo foi bispo de Esmirna e conheceu os apóstolos, especialmente o discípulo João. Esteve em Roma para tratar da questão relativa à Páscoa. Sofreu o martírio por volta de 155, queimado vivo no estádio da cidade. "Então nós, a quem foi dado contemplar, vimos um milagre – pois para anunciá-lo aos outros é que fomos poupados: - o fogo tomou a forma de uma abóbada, como a vela de um barco batida pelo vento, e envolveu o corpo do mártir por todos os lados; ele estava no meio, não como carne queimada, mas como um pão que é cozido ou o outro e a prata incandescentes na fornalha. E sentimos um odor de tanta suavidade que parecia se estar queimando incenso ou outro perfume precioso" (Liturgia das horas. v. II. op. cit. p. 1.461s).

Oração do amor operante

Deus, nosso Pai, pela boca do vosso profeta disseste:
"Uma coisa horrível e abominável aconteceu na terra: os profetas profetizam mentiras, os sacerdotes procuram proveitos. E meu povo gosta disto" (Jr 5.30-31). Quisestes que fôssemos como o sal que dá sabor, como o fermento que faz crescer a massa e como a luz que ilumina. Dai-nos, pois, sensibilidade humana e uma visão cristã da realidade, para que possamos responder com ações positivas e generosas às necessidades humanas e espirituais de nosso tempo desejoso de paz e justiça. Que o nosso amor vença os condicionamentos sociais, supere preconceitos de raça, cultura e credos e seja convincente como a luz que dissipa as trevas ou como a àgua das fontes que se unem para formar rios e oceanos. Tenhamos o coração aberto para repartir do pouco que se tem, generosidade para dar e humildade para também receber.
Não deixemos para amanhã os gestos de bondade, de solicitude, de generosidade, do bem que podemos e devemos hoje fazer. Pois vosso Filho Jesus não protelou a cura do cego, nem despediu a multidão faminta de mãos vazias, nem deixou para depois sua prova de amor total. Crucificado, morto e sepultado, para ficar conosco ressuscitou ao terceiro dia.

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