Serviço Bíblico
Domingo, 1° de fevereiro de 2009
4° domingo do Tempo Comum
Santos do Dia: Agrepe de Velay (bispo), Alberto de Landevenec (monge), Brígida da Irlanda (virgem), Brígida de Fiesole (virgem), Cecílio de Granada (bispo, mártir), Claro de Seligenstadt (eremita), Dardulacha de Kildare (virgem, abadessa), Henrique Morse (presbítero, mártir de Tyburn), Jarlath de Armagh (bispo), João de Cratícula (monge), Paulo de Trois-Châteaux (bispo), Piônio (bispo de Esmirma) e Companheiros (mártires), Severo d Avranches (bispo), Severo de Ravena (bispo), Sigberto III da Austrásia (rei), Urso de Aosta (arquidiácono), Veridiana de Castelfiorentino (virgem).
Primeira Leitura: Deuteronômio 18, 15-20
Colocarei minhas palavras em tua boca.
Salmo Responsorial: Sl 94(95)
Vinde, exultemos de alegria no Senhor!
Segunda Leitura: 1Coríntios 7,32-35
Consagrados no corpo e no espírito.
Evangelho: Marcos 1,21-28
Ensinava com autoridade.
A passagem da primeira leitura figura na seção que o Deuteronomia dedica às instituições e aos ministérios do povo eleito. Depois de haver falado sobre o rei e o sacerdote, faz o mesmo sobre o profeta.
O tema é introduzido por uma descrição que proíbe a Israel recorrer à adivinhação como o fazem os pagãos (Dt 18,9-14). Com efeito, para os hebreus o único meio de conhecer a vontade de Deus será recorrendo aos profetas (vv. 15-20). A passagem termina enunciando os critérios que permitem reconhecer o verdadeiro profeta (vv. 21-22), logo após ter apresentado Moisés como profeta perfeito (v. 15).
Não é fácil ver as diferenças que estabelece entre o profeta, o sacerdote e o chefe político, já que, a seus olhos, estas três funções são concebidas como mediadoras paralelas entre o povo e seu Deus.
Contudo, o autor manifesta claramente sua preferência pela mediação profética: sem dúvida escreve numa época em que a realeza e o sacerdócio passam por uma grave crise. Os profetas, então, são os únicos que proclamam a vontade de Deus, o regresso às fontes da lei e à constituição de um povo em torno da Palavra.
Por outra parte, o profeta tem uma superioridade muito clara sobre o rei e o sacerdote: enquanto o primeiro se atém ao comportamento político e o segundo à esfera cultual, o profeta leva a Palavra de Deus a qualquer circunstância da vida individual e social.
O profeta tem, finalmente, o poder de transformar suas palavras em ações. Moisés é realmente um profeta, e o autor, que escreve provavelmente no tempo dos grandes profetas de Israel, sabe o que diz quando considera Moisés como o de maior importância entre eles.
Será preciso esperar pela chegada de Jesus para encontrar um profeta mais importante que Moisés, que liberte a Palavra do poder do sacerdócio e do político para a tornar presença ativa de Deus no seio da realidade mais cotidiana.
São Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, faz-nos cair na conta de que a partir de Jesus cada indivíduo vive a presença de Deus em si mesmo, e o cristão deposita sua vida inteira nela. Mas não pode viver senão em relação com os acontecimentos e com os demais homens.
O estado matrimonial, mesmo quando perde seu papel exclusivo de perpetuar a raça, continua sendo um lugar por excelência em que se vive a presença de Deus na relação interpessoal. De todas as formas, essa presença é implícita; não se fará explícita senão no reino, quando Deus será tudo em todos.
O milagre relatado pelo evangelista Marcos é apresentado no contexto de um gênero literário, empregado em grande número desses casos: descrição do estado do enfermo, autoridade soberana e poderosa de Jesus, eficácia iminente de sua palavra ou de seu gesto, e finalmente a reação da multidão.
Uma forma literária desse tipo tem como finalidade revelar o poder de Cristo. Na descrição dos milagres de Jesus, Marcos se contenta frequentemente com esse tipo de poder. Ele o descreverá sobretudo em oposição ao influxo exercido até então pelos demônios.
Para a mentalidade de seu tempo, com efeito, a humanidade é submetida aos “espíritos impuros”, que são a causa das enfermidades e da morte. Mas Deus deve pôr termo algum dia a esse império tirânico por meio de seu Enviado, o “Santo de Deus”.
Para Marcos, o milagre não é, em primeiro caso, mais do que a arma por excelência do enviado de Deus contra o poder dos “espíritos impuros”, que os ataca precisamente lá onde deixam de manifesto sua presença: a enfermidade e a morte.
Interessa revalorizar o poder com que Jesus se manifesta qual enviado de Deus. Parece que, ao menos em Marcos, esse poder é já o da Ressurreição. O milagre não é compreendido senão com referência ao mistério da Páscoa.